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Fim das cáries?

 

 


Cientistas estão próximos
de um dos grandes sonhos dos CDs:
a vacina contra a cárie

 

 

A cárie é um dos problemas de saúde que mais afeta as pessoas. O Relatório Mundial de Saúde Bucal, publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2003, mostra que cinco bilhões de pessoas em todo o mundo sofrem de cárie, independente se o país de origem é rico ou pobre.

 

Para resolver o problema os governos gastam uma quantia exorbitante de dinheiro. Os Estados Unidos, por exemplo, destinam anualmente 5% de toda a sua verba para a saúde somente para o tratamento de cáries.

 

A OMS possui metas para diminuir esse índice. Em 2007 ela espera que o número de crianças sem cárie esteja em torno de 60% para, em 2020, atingir a meta de 80% de crianças no mundo livres da doença. Uma das maneiras de se combater o problema e atingir essa meta seria através de uma vacina que combatesse a cárie.

 

A corrida pela vacina

 

Cientistas de todo o mundo estão em busca da vacina contra a cárie. Entre os países que estão atualmente com pesquisas na área podemos citar os Estados Unidos, a Inglaterra, o Japão e Portugal.

 

O trabalho em Portugal é feito por um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS). Eles deram continuidade ao trabalho do professor Mário Arala Chaves, falecido em 2000. Arala Chaves começou suas pesquisas na década de 1980. Nelas, havia identificado o efeito de supressão imunológica das proteínas liberadas pelas bactérias causadoras da cárie dentária: a Streptococcus mutans e a Streptococcus sobrinus.

 

 

Foi criada uma vacina que neutraliza a ação dessas proteínas e faz com que a proteção imunológica seja reativada. A vacina foi testada em roedores que já estavam com cárie. O resultado mostrou uma redução considerável das cáries. O próximo passo é testar a vacina em um ambiente não infectado. Espera-se obter um resultado positivo, já que normalmente é mais fácil prevenir uma doença do que combatê-la.

 

A equipe liderada por Paula Ferreira – professora associada do ICBAS – é financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). A vacina já é patenteada em Portugal e aguarda registro nos Estados Unidos. No ano passado eles receberam o prêmio “Câmara Pestana” pelo estudo, o que mostra a importância do projeto dentro do país. O prêmio foi de 2.500 euros, que serão utilizados para dar continuidade à pesquisa.

 

Antes de a vacina ser investigada em humanos, é preciso testá-la em primatas. Para isso, a equipe de Paula Ferreira procura outros laboratórios interessados em investir na pesquisa, já que Portugal não possui nenhum laboratório com infra-estrutura para pesquisas com macacos. O grupo estima obter a vacina contra cárie para humanos em 2010.

 

Outras pesquisas

 

Os EUA também têm um papel importante na busca pela vacina contra a cárie. Pesquisadores do Instituto Forsyth, em Massachusetts estão avançando cada vez mais nos estudos. O grupo liderado por Martin Taubman e Daniel J. Smith descobriu algumas moléculas que podem estimular o sistema imunológico do ser humano. Os testes feitos em animais apresentaram um resultado positivo.

 

O objetivo da equipe do Forsyth é estimular a produção de anticorpos e, dessa maneira, não permitir que as bactérias se instalem nos dentes. A melhor época para se aplicar a vacina seria ao completar o primeiro ano de idade, depois que os dentes começarem a nascer e antes das streptococcus mutans atingirem o dente. Nessa idade, a criança já possui um sistema imunológico capaz de produzir anticorpos para combater as bactérias causadoras de cáries.

 

 

Streptococcus mutans

 

A vacina contra cárie também é o principal objetivo de um grupo de pesquisadores britânicos. Em parceria com um laboratório americano – o Planet Biotechnology – a equipe chefiada pelo professor Tom Lehner trabalha em cima de uma vacina que mate as bactérias responsáveis pelas cáries, deixando a pessoa livre do problema por quatro meses. 

 

Os testes clínicos foram realizados no ano 2000 com alguns voluntários britânicos, que receberam seis aplicações da vacina, sendo duas doses por semana. O resultado obtido foi positivo: a vacina imunizou completamente os pacientes.

 

A vacina é incolor e não tem sabor. Sua aplicação é feita diretamente nos dentes, como se fosse uma aplicação de flúor. O princípio ativo da vacina é o CaroRxTM, um anticorpo produzido a partir de alterações genéticas feitas em plantas; daí vem o nome dado ao anticorpo: plantibody. Ele elimina a streptococcus mutans, impedindo que ela forme a placa bacteriana e, conseqüentemente, a cárie.

 

O próximo passo para os pesquisadores britânicos é aumentar o tempo de imunização da vacina para, pelo menos, alguns anos. O grupo acredita que, em um futuro próximo, o tempo de imunização da vacina possa chegar a vinte anos.

 

Higiene Bucal

 

A vacina contra a cárie seria um grande avanço na área de saúde, mas não significa o fim da higiene bucal tradicional. O trabalho preventivo feito através da escovação e do uso do fio dental continua sendo importante.

 

Uma boa higiene bucal serve não só para evitar cáries, mas para evitar outras doenças, como também qualquer processo inflamatório. E não se pode ignorar o fato de que as cáries são provocadas por várias bactérias, e estas vacinas poderão agir em cima de uma ou outra, e não de todas.

 

 

 
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