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Hipersensibilidade dentinária


UFSCar e USP desenvolvem novo material para combater a hipersensibilidade dentinária.

 

A hipersensibilidade denti-nária ocorre quando a dentina fica exposta devido a uma degradação do esmalte ou do cemento. A dentina é permeável e, sua exposição a fatores exter-nos consequentemente leva à exposição dos túbulos dentinários que formam a polpa dentária. Os nervos reagem e fazem com que a pessoa tenha a sensação de dor cada vez que a polpa é estimulada por um alimento frio, quente ou ácido, por exemplo.

 

A estimulação dolorosa ocorre devido ao rápido deslocamento dos fluidos dentro dos túbulos dentinários quando sofrem estímulos mecânicos, térmicos ou químicos. O deslocamento dos fluidos pode ser explicado pela Teoria Hidrodinâmica de Brännström, em que um movimento mínimo dentro dos túbulos dentinários causa uma pressão no odontoblasto e estimula as fibras nervosas.

 

- estímulos mecânicos: Podemos chamar de estímulos mecânicos forças oclusais não balanceadas, escovação bucal inadequada e raspagem radicular.

 

A utilização de escova de dente ou técnicas inadequadas desgasta o esmalte do dente, tornando-os sensíveis. Estudos verificaram que a hemiarcada dentária oposta à mão que manipula a escova apresenta uma quantidade menor de placas bacterianas por ser limpa de maneira mais efetiva. Porém, a força aplicada sobre essa hemiarcada pode causar um desgaste excessivo da dentina e aumentar as possibilidades do surgimento de hipersensibilidade.

 

A hipersensibilidade dentinária pode surgir dentro do próprio consultório dentário. Alguns procedimentos como raspagem radicular, clareamento dentário sem moldeira ou a violação do espaço biológico na hora de posicionar coroas podem levar à exposição dentinária.

 

- estímulos térmicos: os estímulos térmicos ocorrem devido a diferenças térmicas dos alimentos ou choques súbitos de temperatura. As mudanças bruscas de temperatura estimulam a movimentação de fluidos dentro dos túbulos dentários e causam a sensação de dor.

 

  

 

- estímulos químicos: os estímulos químicos levam a alterações no pH da boca, que se torna ácido. Restos alimentares, açúcares, cáries e placas bacterianas contribuem para a alteração do pH.

 

A ingestão de alimentos ácidos faz o pH bucal diminuir. Ao entrar em contato com o esmalte dos dentes, o ácido provoca sua corrosão. Quando a pessoa faz a higiene bucal logo após a ingestão de alimentos de teor ácido, a escovação aumenta o potencial corrosivo do ácido.

 

Algumas bebidas como vinhos, sucos cítricos, suco de maça e iogurte podem dissolver o “smear-layer” que protege o esmalte e, dessa maneira, podem gerar sensibilidade dentinária.

 

A salivação é uma das responsáveis por combater o pH ácido da boca; por esse motivo, alguns fatores sistêmicos como refluxo gastroesofágico, bulimia ou qualquer outra doença que reduza o fluxo salivar também podem contribuir para a degradação das estruturas dentárias. 

 

Maior incidência

 

A hipersensibilidade dentinária atinge mais freqüentemente a área cervical da superfície vestibular dos dentes permanentes, principalmente caninos e pré-molares. A dentina dessa região é desgastada com mais freqüência.

 

O problema costuma atingir mais adultos na faixa etária entre 20 e 40 anos, com uma incidência maior próximo aos quarenta anos. Apesar de a exposição dentinária aumentar com a idade, a prevalência de hipersensibilidade diminui devido à recessão gengival.

 

Opções de tratamento

 

Para o combate da hipersensibilidade dentinária, utilizam-se recursos dessensibilizadores que eliminam as causas da exposição dentinária e diminuem o desconforto causado pela dor.  Em alguns casos, a dessensibilidade ocorre naturalmente, por processos naturais, tais como dentina reparativa, dentina esclerótica e formação de cálculos na superfície dentinária.

 

Caso um tratamento seja necessário, ele pode ser feito no consultório ou em casa de várias maneiras, porém, primeiramente, o sucesso do tratamento da hipersen-sibilidade depende do combate aos fatores da exposição e é necessário que o paciente siga alguns conselhos para combater o que está causando o desgaste dentinário: não escovar os dentes com pressão excessiva, nem utilizar escovas com cerdas duras; utilizar uma pequena quantidade de creme dental, evitar escovar os dentes logo após a ingestão de alimentos ácidos e evitar passar o fio dental em excesso ou utilizar palitos dentais.

  

• Tratamento domiciliar

 

O tratamento caseiro é feito à base de dentifrícios. A vantagem desse tipo de tratamento é a fácil aquisição do material e o custo total do tratamento, que é bastante inferior quando comparado a visitas ao consultório odontológico.

 

Os dentifrícios à base de cloreto de estrôncio são bastante utilizados, um exemplo é a pasta de dente Sensodyne. O cloreto de estrôncio obstrui os túbulos dentinários, criando uma barreira impermeável e, ao mesmo tempo, incentivando a formação da dentina reparativa.

 

Outro tipo de dentifrício utilizado para esse tipo de tratamento é o dentifrício à base de nitrato de potássio. Ele age estabilizando a polaridade das terminações nervosas e, dessa maneira, restabelece o fluxo de potássio no interior dos odontoblastos perdidos. O dentifrício mais conhecido nesse tipo é o Hyperdent, com concentração de nitrato de potássio a 5%.

  

• Tratamento em consultório

 

- materiais fluoretados: Uma das maneiras de fazer a dessensibilidade nos consultórios é com a utilização de materiais fluoretados. O flúor, ao agir sobre a superfície dentária, une-se aos íons de cálcio, formando cristais de fluoreto de cálcio de aproximadamente 0,05mm, que reduzem o diâmetro dos túbulos dentinários.

 


Túbulos Dentinários

 

O fluoreto de sódio (NaF) também é muito utilizado no combate à hipersensibilidade. Ele é aplicado na área sensível durante 1 a 5 minutos, mas deve-se tomar cuidado para não deixar que o NaF chegue à polpa dentária, pois isso pode causar um processo inflamatório ou diminuir sua vitalidade. Em alguns casos é utilizado o fluoreto de sódio acidulado, por sua melhor adesão à dentina, mas ele perde-se mais rapidamente.

 

- iontoforese: Essa técnica consiste em levar íons flúor aos túbulos dentinários a partir de um potencial elétrico. A força eletromotora é gerada através de dois pólos: o pólo positivo é atado à base da dentina enquanto o negativo é colocado em uma região do corpo.

 

Uma das substâncias utilizadas na iontoforese é o sulfato de magnésio a 4%, que possui um efeito tranqüilizante, analgésico e anestésico. Sua utilização no processo de dessensibilidade é aprovada por ser de fácil aplicação, além de possuir aplicação rápida e não ser irritante para a polpa.

  

- tratamento com laser: Tanto o laser cirúrgico como o não-cirúrgico apresentam resultados positivos no trata-mento da hipersensibilidade dentinária. O laser cirúrgico é bastante efetivo no selamento dentinário e, conseqüen-temente, na obliteração dos canalículos dentinários. 

 

A utilização do laser não-cirúrgico, de imediato, já promove uma diminuição da dor por aumentar a concentração de beta endorfina no líquor céfalo-raquidiano. Em um segundo momento o laser não cirúrgico agiria como um reparador pulpar. A aplicação de laser não-cirúrgico no combate à hipersensibilidade dentinária apresenta resultados positivos superiores a 90%, dependendo do número de aplicações.

 

- tratamentos restauradores: Os tratamentos restau-radores são uma opção para casos severos de hipersen-sibilidade dentinária. Se mesmo com a restauração o problema não for solucionado, o tratamento endodôntico é indicado. O laser de CO2, por exemplo, quando utilizado em dosagens corretas, não promove danos pulpares.

 

Novo tratamento

 

Pesquisadores da Universidade de São Carlos (UFSCar), em parceria com a USP de Ribeirão Preto, desenvolveram um novo medicamento para combater a hipersensibilidade dentinária. O novo material é o silicato particulado bioativo, chamado Biosilicato®. O produto é aplicado na região da dentina e, por ser um biovidro, fixa-se ao tecido e impede a movimentação dos fluidos dentro dos túbulos dentinários.

 

Ao entrar em contato com tecido ósseo, o biovidro forma uma camada de hidroxicarbonatoapatita, substância com a mesma composição química do tecido mineral dos dentes e ossos. O único problema dessa substância era sua fragilidade e o fato da superfície ser cortante (característica dos vidros), o que poderia causar um aumento da sensibilidade dentinária. A solução encontrada foi a cristalização do material, que evita a formação de superfícies cortantes. 

 


Como o vidro, a hidroxicarbonatoapatita tem superfície cortante

 

A composição do Biosilicato® é basicamente sódio, potássio, flúor, cálcio, oxigênio e sílica. O material não possui qualquer efeito tóxico já que, com exceção do flúor que é utilizado em pequena quantidade e promove uma melhora no ambiente bucal, todos os outros componentes estão presentes no organismo. Os íons liberados na boca possuem um efeito bactericida ao elevar o pH e a pressão osmótica local.

 

A vantagem do tratamento da hipersensibilidade dentinária com Biosilicato® está no fato de ele promover a recons-tituição da dentina, e não somente combater a dor.  O material também apresenta bons resultados em clareamento dental, proteção pulpar e combate à cárie.

 

Para aumentar essa proteção, há projetos de incorporar o Biosilicato® a produtos de higiene oral como cremes dentais, soluções fisiológicas e enxagüantes bucais.

 

 
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