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A linha do tempo da estética

Saiba como a concepção do que seria um belo sorriso mudou ao longo da História da Humanidade

 

Não é novidade para ninguém quando indaga-mos a importância que a aparência física tem na sociedade atual. Os comerciais de televi-são, os outdoors pelas ruas, as novelas e os filmes no cinema sempre mostram pessoas bonitas, magras e com um belo sorriso.

 

 

O valor de um belo sorriso

 

A preocupação por dentes bonitos e saudáveis está cada vez mais presente em nossas vidas. Além de dentes ali-nhados, que sempre foram importantes tanto pela questão de saúde como pela questão estética, uma outra preocu-pação tem atingido as pessoas: ter dentes brancos.

 

Essa busca por dentes brancos pode ser confirmada pelo aumento do número de pessoas que procuram profissionais de dentística restauradora e estética para realizar clarea-mento e pela presença cada vez maior nos supermercados e farmácias de cremes dentais que prometem dentes mais alvos.

 

Porém, está muito enganado quem pensa que a preocu-pação em ter dentes bonitos e saudáveis é coisa recente. A busca por um belo sorriso já existe há muito tempo, e a única coisa que mudou ao longo de todos esses séculos foi o que as diferentes sociedades consideraram ser “um belo sorriso”.

 

Dentistas artesãos

 

Não é de hoje que as pessoas pro-curam os dentistas para ficarem com um sorriso mais bonito. Na verdade, essa prática já é realizada há mi-lhares de anos, mesmo antes de e-xistirem as cadeiras de dentista e as anestesias.

 

Algumas populações causavam modi-ficações intencionais nos dentes por questões estéticas, como lascar, polir ou colorir os dentes. Entre as arcadas dentárias encontradas em sítios ar-queológicos podemos encontrar trabalhos extremamente bem feitos, inclusive com jóias perfeitamente colocadas nos dentes. São trabalhos dignos de artesãos.

 

O que nos chama a atenção é o fato de alguns dos padrões de beleza daquela época serem completamente diferentes dos atuais, nos parecendo até absurdos. Outros, nem tanto.

 

Formato alterado: Entre as modificações intencionais na estrutura dos dentes, a mais simples é o ato de lixá-los. Isto pode ser encontrado em tribos de Angola, na África, ou até em populações americanas. O processo podia ser realizado com quase todos os tipos de rochas.

 


Lixando o dente com rochas

 

Outra “mutilação” comum no continente americano era alterar o contorno das coroas dentárias, dando a elas as mais variadas formas geométricas. Mas não eram só as coroas dos dentes que tinham seu formato alterado. Algumas tribos também tinham o costume de hachurar as faces labiais dos dentes.

 


Dentes hachurados

 

Dentes coloridos: É muito comum vermos em comerciais de televisão e fotos de revista pessoas com dentes brancos, servindo como padrão de beleza dos dias atuais. Mas nem sempre foi assim. Antes de conseguir sua independência e tornar-se o Vietnã, a antiga colônia francesa conhecida como Aname tinha como costume o ato de colorir os dentes.

 

Isso mesmo. Para a população do an-tigo Vietnã, o bonito era ter dentes pretos, o que valia tanto para os ho-mens como para as mulheres. O pro-cesso era bastante doloroso, mas mesmo assim as pessoas se subme-tiam a ele não por uma questão pura-mente estética, mas por uma questão cultural. Para aquela população, ter dentes brancos não era apenas feio... era imoral!

 

Dentes lascados: Além de pintar os dentes de preto, a antiga colônia francesa também costumava lascar os dentes incisivos e afundá-los até praticamente a linha da gengiva. Para eles, esse era o ideal de beleza, tanto que, antes de passar por esse processo, um jovem não estaria preparado para o casamento e nem seria considerado adulto. Era um sinal de maturidade.

 

Dentes perfurados: Muito pró-ximo ao Vietnã encontra-se a ilha de Borneo e seus habi-tantes também davam valor a um “belo sorriso”. Além de lixar e escurecer os dentes, era feito um furo no meio de cada dente para colocar uma es-pécie de prego de bronze, tudo para embelezar o sorriso. É claro que esse processo era bastante doloroso também, e, para diminuir o sofrimento, o paciente mordia um pedaço de madeira.

 

Outros povos (inclusive os Maias) também tinham o cos-tume de ornamentar os dentes, mas com pedras preciosas como jade, turquesa ou até mesmo ouro. A técnica era praticada há aproximadamente 2000 anos (estima-se que tenha começado entre 100a.C. e 300d.C.) e os resultados são fantásticos, dignos de artesãos.

 

Uma das maneiras de se embutir as jóias nos dentes era com a ajuda de uma espécie de broca, um tubo fino com a ponta de quartzo ou outra pedra para perfurar o dente. O tubo era girado contra o esmalte do dente e, com a ajuda de água misturada a alguma espécie de pó abrasivo, era feita a cavidade para a colocação da jóia.

 

As jóias cabiam perfeitamente nas cavidades, o que justificaria o fato de encontrarmos as arcadas em perfeitas condições até hoje. A completa fixação das jóias aos dentes deve-se, provavelmente, a algum cimento especial utilizado com uma fórmula desconhecida, suspeita-se de uma mistura de sulfeto de Ferro (FeS2) em pó.

 


Maias: preocupações estéticas

 

Semelhanças e diferenças

 

Nesse capítulo do Odonto História nós mostramos um pouco da mudança que os padrões de beleza sofreram ao longo do tempo. Muitas das técnicas utilizadas antigamente, assim como os resultados que pretendiam obter, nos pa-recem bastante estranhos. Enquanto os consultórios estão cada vez mais repletos de pessoas em busca de clarea-mento dentário, fica difícil imaginar que pessoas passassem por processos (bastante dolorosos!) para escurecer seus dentes. Isso porque temos o costume de receber com estranhamento qualquer idéia que vá contra nossa cultura, nossos padrões de beleza.

 

Mas nem todos os padrões de beleza são tão “diferentes” dos encontrados hoje em dia. É claro que as técnicas utilizadas evoluíram bastante. Atualmente ninguém precisa morder um pedaço de madeira para aliviar a dor ou polir os dentes com pedras, mas os resultados obtidos podem apresentar uma certa semelhança.

A própria colocação de jóias no esmalte dos dentes, comum em várias tribos e povos, não parece tão estranha quando lembramos que serviços muito parecidos com esses são oferecidos – e bastante procurados – nos consultórios odontológicos hoje em dia.

 

  
Será que mudou tanto assim?

 

Em alguns pontos, os padrões de beleza tomam direções opostas, enquanto em outros, voltam ao mesmo ponto (ou a um similar). São as mudanças do conceito de um belo sorriso através da linha do tempo.

 
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